segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MIM / TI ou EU / TU


A escrita sofre uma grande influência da fala, a ponto de algumas expressões, com o tempo e o uso contínuo, passarem a ser aceitas como forma culta. Ocorre, no entanto, que é necessário que se faça uma distinção entre a fala e a escrita no que se refere à correção gramatical, como no caso dos pronomes MIM/TI e EU/TU, visto que há uma constante confusão quanto ao seu uso. Então vejamos como fazer a opção correta na hora de escrever.

1 – Os pronomes pessoais retos (eu, tu) são aqueles que funcionam perfeitamnte como sujeito de um verbo. No entanto, não devem ser utilizados como complemento indireto. Isso significa dizer que tais pronomes não devem ser utilizados após uma preposição (para, de...) que caracterize um objeto indireto. Vejamos:

- Há alguma coisa para eu fazer aqui? (eu = sujeito da forma verbal fazer)
- Há alguma coisa para mim fazer aqui? (incorreto)

- Para ti ser aprovado, deve estudar muito. (incorreto)
- Para tu seres aprovado, (tu) deves estudar muito. (correto)

2 – Os pronomes pessoais oblíquos (mim, ti) são apropriados para atuar como complemento verbal e normalmente vêm após uma preposição (para, de...) que os caracteiza como um objeto indireto de um verbo. Nessa posição (após preposição), tais pronomes não funcionam como sujeito de um verbo. Vejamos:

- Há alguma coisa para eu nesta caixa? (incorreto)
- Há alguma coisa para mim nesta caixa? (correto)

- Trouxeram esta encomenda para ti. (correto)
- Trouxeram esta encomenda para mim. (correto)

- Trouxeram esta amostra para tu analisares. (correto)
- Trouxeram esta amostra para ti analisar. (incorreto)

- Para mim é necessário mais empenho dos funcionários. (correto)
- Para mim, não ser aprovado seria uma catástrofe. (correto)

Note que, no último exemplo, houve apenas uma inversão na ordem dos termos da frase.
- Não ser aprovado seria uma catástrofe para mim.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

ESCREVER BEM X OS VERBOS

Há que se tomar certos cuidados ao escrever no que se refere ao emprego dos verbos e de seus respectivos complementos. Caso queiramos utilizar dois ou mais verbos em sequência, utilizando apenas um complemento, precisamos ter certeza de que ele combina com todas as formas verbais a que queremos que se refira. Isso significa dizer que, se enumeramos dois verbos, o complemento ligado a eles deve ser correspondente à regência de ambos (um objeto direto para dois verbos transitivos diretos; um objeto indireto para dois verbos transitivos indiretos de mesma regência...). Caso não respeitemos esse princípio da regência verbal, haverá um problema sério de estrutura na frase. Vejamos:

1 – Para dar mais qualidade à educação brasileira, é preciso investir criteriosamente e melhorar a rede pública de ensino em primeiro lugar. (INADEQUADO)

Veja que a forma verbal investir deveria estar acompanhada de um complemento indireto (termo ligado ao verbo com auxílio de preposição = investir em algo), enquanto a forma verbal melhorar vem sucedida de complemento direto (termo anexado ao verbo sem auxílio de uma preposição = melhorar algo). Assim, houve uma ruptura na estrutura oracional no que se refere à regência, já que o complemento a rede pública de ensino não é apropriado para a primeira forma verbal em questão (investirr).

Corrigindo-se a frase, teremos:

- Para dar mais qualidade à educação brasileira, é preciso investir criteriosamente na rede pública de ensino e melhorá-la em primeiro lugar.

Note que agora cada forma verbal está acompanha de seu complemento adequado, o que garante a observação do princípio da regência verbal e, consequentemente, a correção da frase.

O mesmo cuidado, portanto, deve ser tomado toda vez que a sequência verbal apresentar qualquer diferença de regência.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

DESCOMPLICANDO A SINTAXE


As funções sintáticas estão, normalmente, associadas aos papéis que cabem a cada classe gramatical exercer dentro de uma oração e das relações possíveis para ela na estrutura oracional. Assim, saber com que outro termo uma classe gramatical pode se relacionar ajuda muito a se reconhecer a função exercida por ela no contexto em que se encontra. Então vejamos:



       ®

SUBSTANTIVO

ADJETIVO

ADVÉRBIO

VERBO
SUBSTANTIVO
SIM PREDICATIVO E COMP. NOMINAL
SIM
COMP. NOMINAL
SIM
COMP. NOM.
SIM
OBJETO
ADJETIVO
SIM
ADJ. ADN., PREDICATIVO E APOSTO
NÃO
NÃO
NÃO
ADVÉRBIO
NÃO
SIM
ADJ. ADV.
SIM
ADJ. ADV.
SIM
ADJ. ADV.
VERBO
SIM
 NÚCLEO DO PREDICADO
NÃO
NÃO
SIM
SUJEITO E PREDICATIVO


Obs: Para o verbo, no quadro acima, considera-se apenas sua forma nominal no infinitivo. As funções que podem ser exercidas por estruturas oracionais em relação a outras serão assunto de uma publicação futura em se tratará apenas da sintaxe externa, portanto das relações possíveis entre orações de um período.

Como se pode observar no quadro acima, as funções sintáticas, dentro de uma oração, podem ser definidas de acordo com a classe gramatical a que cada termo pertence. Isso, aliás, reforça a ideia de que ter um bom conhecimento de morfologia permite entender com mais facilidade como analisar uma oração e a função dos termos que a compõem.

CONSIDERAÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES SINTÁTICAS NA ORAÇÃO

1 – Um adjetivo jamais exercerá função de complemento verbal ou de Adjunto Adverbial, uma vez que não se relaciona com um verbo.

OBSERVAÇÃO: Caso um verbo no infinitivo seja utilizado em fução substantiva (como sujeito, por exemplo), então será possível que um adjetivo se refira a ele na função de Adjunto Adnominal.
Ex.: Viver feliz é viver em paz.
                Adj. Adn.

2 – Um adjetivo, no predicado de uma oração, que não seja parte integrante de um complemento verbal (objeto) só poderá exercer função de predicativo (do sujeito ou do objeto)
Ex.: O juiz  declarou    o réu    culpado.    / O candidato   fez   a prova  tranquilo.
               Suj.           V.              OD          Pred. do Obj.                  Suj.               V           OD        Pred. do Suj.

3 – Um adjetivo ao lado de um verbo de ligação só pode ser Predicativo do Sujeito.
Ex.: O candidato parecia tranquilo.
                 Suj.                      VL         Pred. do Suj.

4 – Um advérbio, por não flexionar nem em número, nem em gênero, não pode exercer qualquer função ligada a um substantivo(Adjunto Adnominal, Complemento Nominal, Predicativo, Aposto...)
Ex.: Os dias passam    rapidamente  aqui.
              Suj.               V                Adj. Adv.          Adj. Adv.

OBSERVAÇÃO: Uma palavra, mesmo que terminada com o sufixo MENTE, se estiver ligada a um substantivo, não estará na função adverbial. Nesse caso, será uma palavra denotativa (de delimitação, por exemplo), exercendo fução de Adjunto Adnominal (função adjetiva).
Ex.: Somente a honestidade pode fazer uma amizade durar.
             Adj. Adn.                    Subst.

domingo, 31 de julho de 2011

USO DO HÍFEN COM PREFIXOS E FALSOS PREFIXOS SEGUNDO O NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO

1 –  PREFIXOS (ou falsos prefixos) terminados em VOGAL.

a) Usa-se o hífen caso o segundo elemento seja iniciado por vogal idêntica.
Ex.: contra-ataque, anti-inflamatório, auto-observação, micro-ondas, tele-entrega.

b) Não se utiliza o hífen caso o segundo elemento seja iniciado por vogal diferente.
Ex.: antiaéreo, coeducação, extraescolar, aeroespacial, autoestrada, autoaprendizagem, agroindustrial, hidroelétrico, plurianual.

OBSERVAÇÃO: Com o prefixo CO, não se usa hífen ainda que o segundo termo seja iniciado por vogal idêntica.
Ex.: cooperar, cooperação, coordenar, coordenador, coordenação, coocupante, coobrigação.

2 – Usa-se o hífen se o prefixo (ou falso prefixo) terminar em R e o segundo termo for iniciado também por R.
Ex.: inter-regional. hiper-requintado, super-realista.

3 – Usa-se o hífen com qualquer prefixo caso o segundo elemento seja iniciado por H.
Ex.: anti-horário, super-homem, anti-higiênico, extra-humano, co-herdeiro.

OBSERVAÇÃO: Não há uso do hífen caso um prefixo se junte a um termo que tenha perdido o H inicial no processo de formação da nova palavra.
Ex. coabitar, coabitação (habitação), desumano (humano), inábil (hábil)

4 – Usa-se o hífen nas formações com os prefixos CIRCUM e PAN, quando o segundo elemento começar por vogal, m, n ou h.
Ex.:circum-escolar, circum-murado, circum-navegação; pan-africano, pan-mágico, pan-negritude, pan-histórico

5 – Usa-se hífen nos compostos com os prefixos AB, OB, SOB SUB se o segundo elemento iniciar por B, R ou H.
Ex.; ab-rogar (pôr em desuso), ob-reptício (ardiloso, astucioso), sob-roda, sub-hepático.

6 – Usa-se o hífen com os prefixos ALÉM, AQUÉM, RECÉM, SEM.
Ex.: além-mar, aquém-fronteira, recém-casados, sem-terra.

7 – Usa-se o hífen com os prefixos EX, SOTO, VICE, VIZO, PÓS, PRÉ, PRÓ, independente de como seja iniciado o segundo elemento.
Ex.: ex-diretor, soto-capataz, vizo-rei, pós-graduação (mas pospor), pré-natal (mas previsão), pró-universitário (mas promover).

8 – Caso o prefixo (ou falso prefixo) termine em vogal e o segundo elemento seja iniciado por R ou S, duplicam-se essas consoantes e não se utiliza mais o hífen.
Ex.: autorregulamentação, antessala, infrassom, antirreligioso, antissemita, contrarregra, contrassenha, cosseno, extrarregular, infrassom, minissaia, tal como biorritmo, biossatélite, eletrossiderurgia, microssistema, microrradiografia.

9 – Emprega-se o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam, formando, não propriamente vocábulos, mas encadeamentos vocabulares (tipo: a divisa Liberdade-Igualdade-Fraternidade, a ponte  Rio-Niterói, o percurso Lisboa-Coimbra-Porto, a ligação  Angola-Moçambique) e bem assim nas combinações históricas ou ocasionais de topónimos/topônimos (tipo: Áustria-Hungria, Alsácia-Lorena, Angola-Brasil, Tóquio-Rio de Janeiro, etc.)

10 – Os compostos com os advérbios BEM e MAL serão grafados com hífen quando formarem um adjetivo ou substantivo composto e o segundo elemento for iniciado por VOGAL ou H.
Ex. bem-aventurado, bem-apessoado, bem-estar, bem-humorado, mal-arrumado, mal-educado, mal-humorado, mal-estar.

OBSERVAÇÃO: O advérbio BEM não se aglutina a muitos elementos iniciados por consoantes.
Ex.: bem-criado (mas malcriado), bem-falante (mas malfalante), bem-nascido (mas malnascido)

 Em muitos compostos, o advérbio BEM aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte: benfazejo, benfeito, benfeitor, benquerença, etc

sábado, 30 de julho de 2011

NOVAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA II

Há muitos que não veem justificativa para o novo acordo, bem como partilham a ideia de que retirar todos os acentos das palavras da nossa Língua seria o mais sensato. No entanto, vale lembrar que a acentuação gráfica das palavras se deve a motivos distintos e justificáveis.
1 - há muitas palavras cuja pronúncia correta depende da acentuação, visto que há outra(s) cuja grafia é idêntica. Nesses casos, apenas a presença de uma MARCA (acentuação) é capaz de torná-las diferentes.
- Secretária - secretaria / fotógrafo - fotografo / agência - agencia.

2 - há outras palavras cuja tonicidade na Língua de origem foi preservada, de modo que a presença do acento em Língua Portuguesa é uma questão história (etimológica). As proparoxítonas estão nesse grupo.
- lâmpada, póstumo, vândalo, etc

3 - há, ainda, aquelas cuja acentuação tônica é, em Língua Portuguesa, artificial, como todas as palavras oxítonas, visto não haver no Latim palavras com essa característica. Naquela língua, as palavras eram, no máximo, paroxítonas. Isso, aliás, explica o regime de oposição entre a acentuação das palavras paroxítonas e as oxítonas na nossa Língua. Significa dizer que as regras que recomendam a acentuação de palavras oxítonas funcionam como um impedimento para a acentuação das paroxítonas com a mesma terminação. Vejamos:
a) oxítonas acentuadas: terminadas em A(s), E(s), O(s), EM, ENS
b) paroxítonas acentuadas: todas as NÃO TERMINADAS em A(s), E(s), O(s), EM e ENS.

4 - há, por fim, os acentos necessários apenas para que se diferencie o SOM (fechado ou aberto) da pronúncia ou o número na pessoa da forma verbal (singular/ plural), os chamados acentos DIFERENCIAIS.

Assim, vê-se que não seria possível uma retirada completa da acentuação, mas apenas retirados aqueles acentos que já não se justificam, por não serem necessários realmente para fins de distinção entre palavras.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

NOVAS REGRAS DE ACENTUAÇÃO GRÁFICA

O novo acordo ortográfico trouxe algumas mudanças nas regras de acentuação na nossa Língua. No entanto, elas atingiram, na sua maior parte, apenas palavras paroxítonas, o que demonstra não terem sido as modificações, nem tão numerosas, nem tão profundas quanto se possa imaginar.

1 – O trema (¨), sinal utilizado até então para indicar o U pronunciado e átono (fraco), nos grupos QUI, QUE, GUI, GUE, não será mais utilizado em palavras da Língua Portuguesa. Assim, a partir do novo acordo, escreve-se:
eQUino, eQUestre, freQUente, aGUentar, linGUística, sanGUíneo.

Obeservação: Palavras estrangeiras, já grafadas com trema na língua de origem, continuarão sendo acentuadas com trema (Müller).

2 – Os ditongos abertos ÉI, ÉU, ÓI, deixarão de ser acentuados se ocorrerem em palavras paroxítonas.
Céu, dói, herói, chapéu, anzóis, carretéis;

Mas
Jiboia, colmeia, assembleia, alcateia, paranoia (sem acento).

3 – Nos hiatos, o I e o U tõnicos, formando sílaba sozinhos ou acompanhados de S já não eram acentuados caso viessem sucedidos de NH.Com o novo acordo, também deixarão de ser acentuados caso sejam antecedidos de ditongo, em palavras paroxítonas.
Açaí, baú, timbaúva, saída, caíste, balaústre, maiúscula, veículo (as duas últimas também podem ser incluídas no grupo das palavras acentuadas por serem proparoxítonas);

Mas
Rainha, ladainha e bocaiuva, feiura, baiuca.

4 – As duplas vogais OO e EE deixam de ser acentuadas quando a primeira das duas for tônica.
Voo(voar), enjoo(enjoar), perdoo(perdoar), leem (ler), deem(dar), veem(ver), creem(crer).

5 – Dos acentos diferenciais permanecem apenas os seguintes:
Pôr (infinitivo verbal)                       por (preposição)
- Vamos pôr os livros no lugar e sair por outra porta.

Pôde (3ª p.sing. pret. perf.. ind.)           pode (3ª p. sing. pres. ind.)
Ontem ele não pôde vir, mas hoje ele pode.

Ele    tem        vem                eles    têm          vêm
         contém   convém                   contêm     convêm

Esta casa tem dois quartos, e aquelas têm três.
Júlia vem morar conosco e seus irmãos vêm visitá-la no verão.

COESÃO TEXTUAL

A coesão é o processo por meio do qual se atribui caráter de unidade significativa a um texto. É com ela que se estabelecem as conexões de um texto consigo mesmo e com o contexto no qual ele está inserido.Para isso, variadas são as possibilidades, indo do simples uso de pronomes (pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos), passando pelos numerais, pelos advérbios, pela sinonímia e chegando aos nexos oracionais. Bem utilizada, essa ferramenta faz de uma série de informações algo único, inteiro, cujo sentido flui naturalmente de acordo com o interesse de quem escreve.
Veja só:
A coragem e a persistência são características de um vencedor. Juntas, elas fazem de um indivíduo comum, alguém capaz das maiores conquistas. Isso pode ser constatados ao se analisar a trajetória de pessoas como Nelson Mandela ou Beethoven. Quanto ao primeiro, a história nos mostra todas as dificuldades pelas quais passou até atingir seu objetivo maior, a igualdade de direitos para os africanos. Em relação ao segundo, sua surdez precoce e sua arte são suficientes para justificar mencioná-lo no rol dos que se superaram contra todas as expectativas.